Comarca de Viamão ganha Projeto Apadrinhar

12 Jul 2019

Por: TJRS
Foto: TJRS

Quando Leila foi convidada para ir à escola da neta participar de atividades alusivas ao Dia das Mães, não imaginava que seria "mãe emprestada" de Matheus, um menino de 12 anos que mora em um abrigo de Viamão. Isso foi na sexta-feira. A professora me explicou a situação e eu recebi as mensagens que ele havia feito. Foi coisa de primeiro olhar. No domingo, Dia das Mães, ele passou o dia lá em casa com a nossa família. Isso já faz 3 anos. Desde então, Leila e o marido José Carlos são padrinhos afetivos de Matheus.  

O exemplo do casal foi apresentado durante o lançamento do Projeto Apadrinhar, na Comarca de Viamão, na tarde desta quinta-feira (11/7). Coordenada pela Juíza da Infância e Juventude Carine Labres, a iniciativa busca padrinhos e madrinhas para os cerca de 50 jovens que vivem em abrigos e casas-lares da Comarca. A média de idade é de 12 a 17 anos.

Temos muita preocupação com o adolescente que, quando completa 18 anos, precisa deixar o acolhimento. E, para que a gente amenize essa transição e possibilite a ele um amparo emocional, uma profissionalização e permita que possa gerir a sua vida, depois da casa de acolhimento para a vida adulta, o apadrinhamento oferece amparo afetivo, destaca a magistrada.

Apadrinhamento Afetivo é uma alternativa à adoção, para quem deseja participar da vida de uma criança ou adolescente com poucas perspectivas de encontrarem uma família adotiva ou mesmo de retornarem ao núcleo biológico. No caso, quem desejar participar do projeto não precisa ser morador de Viamão nem ser casado. Basta ter, no mínimo, 18 anos, ser pessoa idônea, ter disponibilidade de tempo que possibilite o contato regular com o afilhado e participar das oficinas e reuniões com a equipe do projeto.

A nossa diferença é que, aqui, não é o padrinho ou a madrinha que vai escolher o seu afilhado. E sim o contrário. Estamos empoderando as nossas crianças e adolescentes para que, eles, sim, através de um vídeo confeccionado pelo pretendente a padrinho ou madrinha, escolham conforme a afinidade que reconhecerem, por meio da empatia, explica a magistrada.

A prática já é realizada em Viamão, mas, a partir da formalização do projeto, será adotado um padrão de procedimento, elaborado pelo Tribunal de Justiça. Participam do projeto a ONG Elo, o Abrigo João Paulo II e a Ação Social Aliança (ASA).Padrinhos e madrinhas farão parte de um cadastro único que será fiscalizado pela Assistência Social Judiciária de Viamão. É um projeto que visa a conferir segurança jurídica e transparência, permitindo um controle maior da população sobre esse cadastro que será confeccionado, acrescenta a Juíza Carine.

Mais do que a presença constante na vida do afilhado, o papel dos padrinhos é a construção de laços afetivos e de um referencial que ajudarão esse jovem durante a vida adulta. A Promotora de Justiça Tatiana Alster esclarece que não se trata de voluntariado nem de adoção. Não se pode confundir com o sentimento de ser pai; para isso, temos as oficinas de habilitação à adoção. E também não basta um sentimento de voluntariado. Muitas vezes, as pessoas querem fazer uma caridade e pensam em se habilitar no apadrinhamento afetivo. Isso não basta. Precisamos do comprometimento dos padrinhos para evitar uma nova frustração para o acolhido. Por isso, é importante essa preparação.

E se é bom ter padrinhos? Matheus não hesita em responder: Eles são muito legais comigo. Me dão carinho, amor e me ajudam.

A jovem Ana, de 16 anos, que também foi apadrinhada há alguns meses, confirma: Está sendo uma experiência muito boa para mim. E eu queria que fosse para sempre.

Para mais informações, entre em contato: frviamaossj@tjrs.jus.br ou pelos fones (51) 3485.1109, ramais 1606/1607.

Saiba mais sobre o projeto Apadrinhar: http://www.tjrs.jus.br/site/imprensa/noticias/?idNoticia=410760.