Cinco crianças do projeto de adoção da VIJ estão em processo de aproximação com famílias

23 Set 2019

Por: TJDFT
Foto: TJDFT

Das sete crianças e adolescentes já cadastrados no projeto “Em Busca de um Lar”, da Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal (VIJ-DF), cinco estão em estágio de aproximação com famílias interessadas em adotá-los. Lançada em maio deste ano, a iniciativa busca sensibilizar famílias aumentando as chances de adoção tardia, de grupos de irmãos e daqueles com problemas de saúde, ou seja, aqueles que não fazem parte do perfil preferido pelas famílias aptas a adotar: recém-nascidos, crianças saudáveis e sem irmãos.

Além das que foram direcionadas para adoção dos participantes do Em Busca de Um Lar, outras cinco famílias entraram com processo de habilitação para perfis semelhantes aos dos inseridos no projeto. Nenhuma delas fazia parte do cadastro de adoção até a ação piloto da VIJ. “Esses primeiros resultados reforçam a adequação e pertinência do projeto recém-lançado e aponta para um futuro promissor que envolve a possibilidade de um número ainda maior dessas adoções no âmbito do Distrito Federal”, indica o supervisor da Seção de Colocação em Família Substituta da VIJ-DF (SEFAM), Walter Gomes.

Dos sete meninos e meninas que ingressaram no Em Busca de um Lar, três têm problemas de saúde: uma criança de seis anos com hidrocefalia; uma pré-adolescente de 10 anos apresenta microcefalia, com sequelas cognitivas, motoras e de fala; um adolescente de 14 anos com Síndrome de Marfam (doença hereditária que afeta o sistema conjuntivo). A menina de 10 anos é uma das que está em aproximação de uma família. Os outros quatro participantes são dois irmãos adolescentes e duas meninas também adolescentes. Atualmente integram o projeto, sem famílias pretendentes, o adolescente Mateus, de 14 anos, e o menino Kalleb, de 6.

Protagonismo de quem aguarda uma famíliaPara alcançar o objetivo, o Em Busca de um Lar trabalha com a produção de vídeos e imagens para serem veiculados no site do TJDFT e nas redes sociais do projeto. A ideia é propiciar o protagonismo de crianças e adolescentes aptos para adoção e compartilhar os desejos e os sonhos deles com a sociedade. O material de divulgação contou com a prévia preparação emocional e concordância dos participantes e de seus guardiões institucionais, além de expressa autorização judicial. “O trabalho psicossocial envolveu a preparação dessas crianças e jovens, respeitando-se, a todo o momento, suas limitações e suscetibilidades, conscientizando-os de que poderão encontrar ou não a tão esperada família, porém deixando claro que, por parte da Justiça Infantojuvenil, haverá um engajamento sem reservas para que ao final o êxito seja logrado”, explica Walter.O supervisor da SEFAM lembra ainda que o perfil trabalhado pela iniciativa é o que segue sendo recusado pelos requerentes já habilitados e integrantes do Sistema Nacional de Adoção. “A opção pela divulgação de um projeto dessa envergadura, com alto teor de ousadia, justifica-se pela previsão de prioridade absoluta para os direitos infantojuvenis, especialmente para aqueles que vivenciaram situações de abandono e rupturas de vínculos e que carregam toda sorte de sequelas emocionais, cognitivas e comportamentais”, comenta o supervisor da área de adoção da VIJ.

O fato de uma família sentir-se sensibilizada pelos vídeos disponibilizados por meio do projeto Em Busca de um Lar e procurar a VIJ/DF para manifestar seu interesse na adoção de um dos jovens apresentados nos referidos vídeos, no entanto, não garante aprovação automática. É necessário que os candidatos sejam avaliados para verificar se de fato reúnem as pré-condições psicossociais e jurídicas indispensáveis para o deferimento da medida pleiteada.  Pessoas interessadas em adotar adolescentes, grupos de irmãos, crianças e adolescentes com deficiência, doença crônica ou com necessidades específicas de saúde têm prioridade legal na habilitação e na tramitação do processo de adoção.

Saiba mais e acompanhe o Em Busca de um Lar na página, no Facebook e no Youtube do projeto.

Realidade do DF

Instituído pela Portaria VIJ 11/2018, o Em Busca de um Lar tem como fundamento a “busca ativa”, ação de buscar famílias em condições legais de adoção, visando garantir a crianças e jovens o direito de integração a uma nova família, quando esgotadas as possibilidades de retorno ao convívio à família de origem. Diversos Tribunais de Justiça estaduais também estão divulgando projetos voltados para a ampliação do número de adoções tardias e em perfis menos procurados pelos postulantes em processo de habilitação ou mesmo aqueles que já figuram no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), vinculado ao Conselho Nacional de Justiça - CNJ.

A faixa etária, o estado de saúde e a existência de irmãos continuam sendo critérios selecionados pela maior parte dos pretendentes à adoção e integrantes do SNA. No Distrito Federal, das 590 famílias habilitadas até setembro de 2019, 93% aceitam crianças com até três anos, 60% entre 4 e 7 anos, 10% entre 8 e 11 anos,  1%  aceitam acolher adolescentes. Desse universo, 204 querem acolher grupos de dois irmãos, quatro aceitam acolher grupo de três irmãos e 382 famílias somente aceitam acolher uma criança. Um total de 35 pretendentes se candidatam à adoção de crianças e adolescentes com problemas de saúde: sífilis congênita, deficiência auditiva, deficiência visual, deficiência física leve, câncer, fenda palatina, necessidades especiais, HIV, diabetes.