Combinação de terapia e prática esportiva apresenta resultados positivos com crianças acolhidas

25 Set 2019

Por: TJDFT

Responsáveis pelo projeto “Filhos da Nação”, a jornalista e terapeuta Gabriela Franco e o fotógrafo e atleta Tiago Sousa apresentaram ao supervisor da Rede Solidária Anjos do Amanhã, Gelson Leite, e à supervisora da Seção de Fiscalização, Orientação e Acompanhamento de Entidades (SEFAE), Vânia Sibylla Pires, da Vara da Infância e da Juventude do DF, os resultados obtidos em dois anos e meio de atuação com crianças e adolescentes acolhidos em instituições. O projeto combina a prática esportiva do stand up paddle com a abordagem terapêutica junguiana.

“Em cima da prancha está tudo o que se consegue enxergar: o céu, o lago, a terra, os pássaros, as pessoas ao redor. É o consciente que, de certa forma, tem o domínio. Embaixo da prancha é o inconsciente, o lado escuro. São os medos, as coisas já vividas que estão guardadas em uma caixinha, mas que de vez em quando vem à tona e se tem que aprender a lidar”, explica Gabriela. Com essa abordagem terapêutica e com o esporte, eles trabalham para o resgate da autoestima, o equilíbrio, o cair, o ir mais longe, a superação de medo, de dificuldades, a confiança em equipes, comenta Gabriela.

Tiago conta que a ideia de criar o projeto surgiu depois que o casal decidiu adotar uma criança. Depois de três anos dessa decisão, Tiago teve um insight: “Porque não posso fazer algo para ajudar muitas outras crianças?”, se perguntou. Gabriela, recém-saída de estudos sobre Jung, também queria desenvolver um trabalho voluntário para aplicar os seus conhecimentos. Os dois juntaram as duas coisas e idealizaram o projeto, que tomou forma com o apoio da empresa OndaSup, criada por ambos.

A ideia do nome foi com a percepção de que as crianças e os adolescentes acolhidos estão sob os cuidados do Estado, como se fossem seus filhos. Daí, pensaram em “Filhos do Estado”, mas optaram por “Filhos da Nação”.

Nesses dois anos e meio do projeto, 14 crianças já foram atendidas, e atualmente são 8 crianças em atendimento. Nesse período, apenas 2 desistiram, representando 14,28%. O índice de vinculação e permanência no projeto é de 85,71%.

A abordagem das crianças e adolescentes tem quatro fases. Na primeira, os voluntários recebem os jovens no lago, para que eles se sintam acolhidos, já começam a passar algumas técnicas e a terapeuta faz um contato de estreitamento com os técnicos da entidade na qual o jovem está acolhido, para ter mais informações a respeito dele. Depois, há um estreitamento da relação dos integrantes do projeto com o jovem, para conhecer os seus potenciais e as suas dificuldades que podem ser trabalhadas. “Na terceira fase, há duas linhas de acompanhamento, uma para as crianças e adolescentes que entram no processo de adoção e outra para os adolescentes que estão se preparando para a maioridade, dando a eles um empoderamento pessoal maior, passando a segurança que o esporte dá e demonstrando que todos que estão no projeto também são a família do esporte para o adolescente”, comenta Gabriela. A quarta fase é dar suporte após o processo de adoção.

“O projeto demonstrou poder de resiliência em dois anos e meio de existência e alcançou um ponto de maturação muito importante. O trabalho deles está sincronizado com parâmetros de atuação da Rede Solidária”, comenta Gelson Leite. Segundo ele, “Filhos da Nação” teve um excelente começo porque investiu tempo em compreender as especificidades do público-alvo com seus desafios e complexidades. “Na fase de execução, venceu barreiras e hoje está aí, firme e fortalecido, pronto para uma nova etapa, a da expansão”, elogia Gelson.